Dermatologia clínica, cirúrgica e estética
Ainda existem “dermatologistas de verdade”? A Dermatologia entre a clínica, a cirurgia e a estética
A atuação de uma dermatologista clínica e estética em Curitiba pode reunir raciocínio clínico, cirurgia dermatológica e cosmiatria sem que uma área diminua a importância da outra.
Recentemente, uma paciente que mora fora de Curitiba veio ao meu consultório exclusivamente para realizar sua toxina botulínica, procedimento que costuma fazer a cada seis meses.
Mesmo quando o motivo da consulta é exclusivamente estético, observar e avaliar a pele faz parte da maneira como conduzo meu atendimento.
Naquele dia, uma pequena lesão pigmentada na face chamou minha atenção.
Tinha cerca de dois milímetros. Mas havia uma informação especialmente importante: aquela lesão não estava presente no exame anterior.
Na mesma consulta, realizamos a toxina botulínica e fiz a biópsia da lesão.
Solicitamos prioridade na avaliação anatomopatológica.
Depois do diagnóstico, conduzi o tratamento cirúrgico e a exérese necessária.
Quando recebi o resultado, uma das primeiras coisas que pensei foi:
Que bom que ela estava aqui.
Que bom que uma consulta motivada pela estética também se tornou uma oportunidade de olhar para a saúde daquela paciente.
Este é um caso real da minha prática, apresentado sem informações que permitam identificar a paciente. Ele não significa que toda consulta estética levará à descoberta de uma doença nem que toda pessoa assintomática precise realizar rastreamento sistemático para câncer de pele.
Mas esse caso explica, melhor do que qualquer discurso, aquilo em que acredito sobre a Dermatologia.
Dermatologista clínica e estética em Curitiba: clínica e estética precisam estar em lados opostos?
Tenho ouvido com alguma frequência uma afirmação que me incomoda: a de que hoje os dermatologistas “só fazem estética” e de que estaria cada vez mais difícil encontrar um “dermatologista de verdade”.
Essa afirmação me incomoda por dois motivos.
Primeiro, porque desconsidera toda a formação médica que existe antes de um dermatologista decidir em quais áreas da especialidade deseja concentrar sua atuação.
Segundo, porque parte da ideia de que, ao realizar um procedimento estético, o dermatologista deixa de exercer seu olhar médico.
Não é assim que enxergo a minha especialidade.
Existem dermatologistas que se dedicam predominantemente à Dermatologia clínica. Outros têm maior atuação cirúrgica. Outros concentram sua prática na cosmiatria.
E muitos de nós transitamos diariamente entre essas diferentes áreas.
Podemos investigar uma queda de cabelo, diagnosticar uma dermatite, avaliar uma doença das unhas, tratar uma micose, identificar uma lesão suspeita de câncer de pele, realizar uma cirurgia dermatológica e também fazer uma toxina botulínica.
Não é preciso diminuir uma dessas áreas para reconhecer a importância das outras.
Tudo isso é Dermatologia.
O que faz um dermatologista?
A Dermatologia é uma especialidade médica muito mais ampla do que a imagem que frequentemente aparece nas redes sociais.
Ela envolve a prevenção, o diagnóstico e o tratamento de alterações da pele, dos cabelos, das unhas e das mucosas, além da cirurgia dermatológica e da cosmiatria.
E existe uma característica dessa especialidade que me fascinou quando a escolhi e continua me encantando depois de tantos anos de profissão: a possibilidade de diagnosticar e tratar.
Podemos perceber uma alteração, investigá-la, chegar a um diagnóstico, propor o tratamento e acompanhar o paciente ao longo desse caminho.
Foi exatamente o que aconteceu com a paciente do início deste texto.
Eu não apenas identifiquei uma lesão diferente. Realizei a biópsia e, após o diagnóstico anatomopatológico, conduzi o tratamento cirúrgico.
Essa possibilidade de acompanhar diferentes etapas do cuidado é uma das razões pelas quais escolhi uma especialidade clínico-cirúrgica.
A pele é uma peça de um quebra-cabeça muito maior
A pele é o maior órgão do corpo humano, mas não funciona isoladamente.
Ela conversa com o restante do organismo.
Doenças inflamatórias, infecciosas, autoimunes, metabólicas e neoplásicas podem apresentar manifestações cutâneas. Cabelos, unhas e mucosas também podem fornecer informações importantes sobre a saúde de uma pessoa.
Por isso, costumo pensar no paciente como um quebra-cabeça.
Não podemos compreender o todo olhando apenas para uma peça.
A história clínica, o exame físico, os medicamentos, os hábitos, outras condições de saúde, aquilo que mudou ao longo do tempo e, claro, a queixa que trouxe aquela pessoa ao consultório precisam ser considerados em conjunto.
Na Dermatologia, isso é particularmente interessante porque muitas dessas peças estão diante dos nossos olhos.
Mas enxergar não é apenas ver.
É reconhecer padrões, perceber mudanças e saber quando alguma coisa merece investigação.
O paciente pode chegar pela estética. Isso não o transforma em um procedimento.
É natural que os pacientes cheguem ao consultório com uma demanda específica.
“Vim fazer toxina.”
“Quero tratar esta mancha.”
“Estou incomodada com a flacidez.”
“Meu cabelo está caindo.”
O motivo da consulta importa. Escutar aquilo que incomoda o paciente também faz parte do cuidado.
Mas o paciente não se resume à queixa que trouxe.
Por isso, mesmo quando alguém chega exclusivamente para um procedimento estético, continuo diante de um paciente.
E continuo sendo médica.
Antes de pensar em uma seringa, em um equipamento ou em qualquer tratamento, existe uma pele que precisa ser avaliada e uma pessoa que precisa ser compreendida.
É justamente aí que clínica e estética deixam de ser territórios opostos.
Elas se somam.
O que a medicina acrescenta à estética?
Conhecimento anatômico é parte disso.
Conhecimento fisiológico também.
Mas não apenas.
A formação médica permite compreender a pele dentro de um organismo, reconhecer doenças, relacionar sinais cutâneos a outras condições, avaliar riscos, identificar contraindicações e, inclusive, saber quando não realizar determinado procedimento.
Permite olhar para algo que aparentemente é apenas estético e perceber que talvez não seja.
E também permite compreender que envelhecimento, aparência e percepção de si fazem parte da vida e podem ser cuidados de maneira responsável, individualizada e baseada em conhecimento médico.
Para mim, é a medicina que dá sentido à estética.
Esse mesmo princípio de individualização aparece na forma como abordo os procedimentos. No artigo sobre naturalidade em procedimentos estéticos , explico por que uma abordagem estética responsável não deve buscar transformar a identidade de quem está sendo tratado.
A formação não desaparece quando o dermatologista realiza um procedimento
A formação do dermatologista não fica do lado de fora da sala quando ele segura uma seringa de toxina botulínica.
Não desaparece diante de um equipamento.
E não desaparece porque parte de sua agenda é dedicada à cosmiatria.
Da mesma maneira, existem excelentes dermatologistas que escolheram concentrar sua atuação na clínica ou na cirurgia.
Uma especialidade ampla comporta diferentes trajetórias profissionais.
Por isso, talvez a pergunta mais importante para o paciente não seja “esse dermatologista faz estética?”, mas “qual é a formação de quem está cuidando da minha pele?”
Como saber se um médico é especialista em Dermatologia?
No Brasil, existe uma forma objetiva de verificar essa qualificação.
Além da inscrição no Conselho Regional de Medicina (CRM), o médico que possui uma especialidade oficialmente registrada apresenta o respectivo Registro de Qualificação de Especialista — RQE.
Segundo o Conselho Federal de Medicina , considera-se especialista o médico que possui RQE regularmente registrado no CRM.
Essas informações podem ser consultadas pelos pacientes nos canais oficiais dos Conselhos de Medicina.
E o que aquele melanoma de dois milímetros ensina?
Existe outro aspecto daquele caso que considero importante.
Muitas pessoas conhecem a regra ABCDE para observar pintas: assimetria, bordas, cor, diâmetro e evolução.
Ela é uma ferramenta educativa útil, mas não deve ser interpretada como uma regra absoluta.
Na paciente que mencionei, uma informação especialmente relevante era justamente a evolução: tratava-se de uma lesão nova.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) destaca a importância de observar o aparecimento de novas lesões e mudanças em lesões pigmentadas já existentes.
Isso não significa que toda pinta nova seja melanoma.
Também não significa que toda pessoa assintomática deva realizar rastreamento sistemático para melanoma. O próprio INCA informa que, atualmente, não há evidência suficiente para recomendar rastreamento populacional dessa doença.
Mas uma alteração nova ou uma mudança de tamanho, formato ou cor pode justificar avaliação médica.
É exatamente por isso que contexto, história clínica e acompanhamento fazem diferença.
Dermatologia clínica ou estética? Talvez essa seja a pergunta errada.
Volto à paciente do início deste texto.
Ela veio exclusivamente para realizar sua toxina botulínica.
Eu avaliei sua pele, percebi uma lesão de aproximadamente dois milímetros que não existia no exame anterior e realizei a biópsia.
Era um melanoma.
Depois, conduzi o tratamento cirúrgico.
O que foi aquela consulta?
Estética?
Clínica?
Cirúrgica?
Foi tudo isso.
Mas, antes de qualquer classificação, foi medicina.
Talvez seja justamente por isso que eu continue tão encantada pela Dermatologia: ela me permite olhar, investigar, diagnosticar e tratar.
Você não é todo mundo. E sua pele também não.
Não existe apenas uma queixa, um protocolo ou um procedimento.
Existem peças que precisam ser reunidas para compreender aquele paciente.
Por isso, não acredito que a estética diminua a Dermatologia.
Quando existe formação, conhecimento, responsabilidade e olhar médico, acontece justamente o contrário:
A medicina dá sentido à estética.
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Perguntas frequentes
O que o dermatologista trata?
O dermatologista é o médico que atua na prevenção, no diagnóstico e no tratamento de alterações da pele, cabelos, unhas e mucosas. A especialidade também abrange cirurgia dermatológica e cosmiatria.
Dermatologista também faz tratamentos estéticos?
Sim. A cosmiatria integra a atuação dermatológica. Cada dermatologista pode direcionar sua carreira para diferentes campos da especialidade ou combinar Dermatologia clínica, cirurgia dermatológica e estética em sua prática.
Dermatologia clínica e estética são incompatíveis?
Não. Elas podem coexistir. Uma consulta motivada por uma questão estética continua sendo um atendimento médico, e a avaliação pode considerar aspectos da saúde da pele que vão além da queixa inicial.
Uma pinta pequena pode ser melanoma?
O tamanho é apenas uma das características consideradas na avaliação. O surgimento de uma lesão nova ou mudanças em uma lesão existente podem justificar investigação dermatológica.
O que significa RQE em Dermatologia?
RQE significa Registro de Qualificação de Especialista. É o registro da especialidade médica junto ao Conselho Regional de Medicina e pode ser consultado nos canais oficiais dos Conselhos.
Referências
Atualizado em 27 de agosto de 2026
EXCELENTE Com base em 130 avaliações Publicado em Google Stephany LTrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. Uma excelente dermatologista Indico!Publicado em Google Eliane MTrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. Olá, gostei do atendimento com a doutora Lauren. A doutora é bem detalhista na consulta. Percebi o interesse da doutora em atender o que eu estava buscando. A consulta demorou pois a doutora respondeu todas as minhas dúvidas e explicou o tratamento passo a passo. Valeu a pena!!! Parabéns doutora pelo excelente atendimento e profissionalismo!!! Obrigada pela dedicação no atendimento.Publicado em Google Elizabet GTrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. Gosto muito dos procedimentos feitos pela Dra Lauren, excelente profissional, super atenciosa e preocupada com o bem estar do paciente.Publicado em Google Roseli BTrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. DRA LAUREN UMA EXPERIENCIA INCRIVEL A MELHOR DERMATOLOGISTA DE CURITIBA, ENTREGA RESULTADOS MAGNIFICOS, ALÉM DE SER UM DOCE DE PESSOA, SUPER RECOMENDO!Publicado em Google Luana ATrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. Dra. Lauren é uma excelente profissional, atendimento humano e muito acolhedor. Consultório impecável, atendimento maravilhoso! Super indico ♥️Publicado em Google Kauê BTrustindex verifica se a fonte original da avaliação é Google. Boa doutora!Certificado: TrustindexO selo verificado do Trustindex é o Símbolo Universal de Confiança. Apenas as melhores empresas podem obter o selo verificado que tem uma pontuação de avaliação acima de 4.5, com base nas avaliações dos clientes nos últimos 12 meses. Leia mais

