O material da aula "Erros e Acertos no Uso da IA no Consultório e Marketing Médico": prompts prontos, o checklist para auditar a IA e o que muda com o CFM.
A IA só é confiável onde você já é capaz de auditá-la.
Ela escreve com a mesma confiança quando acerta e quando inventa. E, se você insistir num erro, ela tende a concordar com você. Por isso, quem usa IA na medicina precisa de duas coisas: instruções com travas e o hábito de conferir.
Referências inventadas, doses erradas, dados trocados, com tom de certeza absoluta.
Acerto: use o checklist de rastreabilidade e confira toda referência e toda dose.
Copiar e colar o que a IA entrega apaga a sua voz.
Acerto: dê à IA exemplos de textos seus e peça que escreva no seu tom. Sempre revise antes de publicar.
A IA aprendeu com publicidade: superlativos, "rejuvenescimento instantâneo", "resultado garantido".
Acerto: coloque as regras do CFM dentro do prompt (veja os modelos abaixo).
Nome, data de nascimento, foto, prontuário: tudo isso é dado sensível pela LGPD.
Acerto: antes de escolher qualquer ferramenta, pergunte: "onde fica o dado?" Em chats genéricos, só use texto sem nenhuma identificação.
Troque o que está entre [colchetes]. Funcionam no ChatGPT, Claude, Gemini e similares.
Atue como meu assistente de comunicação médica. Sou [especialidade] e escrevo para [público: pacientes leigos / colegas].
Crie [3] ideias de posts educativos sobre [tema ou condição frequente], respondendo às dúvidas mais comuns do consultório.
REGRAS OBRIGATÓRIAS (Resolução CFM nº 2.336/2023):
- Tom exclusivamente informativo e educativo.
- Nenhuma promessa ou garantia de resultado, cura ou "transformação".
- Nenhum superlativo nem adjetivo apelativo ("o melhor", "perfeito", "revolucionário", "milagroso").
- Nenhuma comparação com outros profissionais ou serviços.
- Sem preços, promoções ou senso de urgência.
- Termine orientando a procurar avaliação médica individual.
Se algum pedido meu violar essas regras, avise antes de escrever.
Revise o texto abaixo como um auditor de publicidade médica, com base na Resolução CFM nº 2.336/2023. Liste, trecho por trecho: 1. Promessas ou garantias de resultado (explícitas ou implícitas). 2. Superlativos, sensacionalismo ou autopromoção. 3. Afirmações clínicas que precisam de fonte. 4. Qualquer dado que possa identificar um paciente. Para cada item, sugira uma versão reescrita e sóbria. Não reescreva o texto inteiro; aponte só o que precisa mudar. TEXTO: [cole aqui]
Com base nas anotações abaixo, escreva uma mensagem curta de orientação para o paciente, em linguagem simples e acolhedora. - Liste o passo a passo na ordem combinada, com horários quando houver. - Não acrescente nenhuma informação, produto ou dose que não esteja nas anotações. - Se algo estiver ambíguo ou faltando, marque [VERIFICAR] em vez de completar. - Termine dizendo que dúvidas podem ser enviadas por mensagem. ANOTAÇÕES (sem nome, data de nascimento ou outro dado identificável): [cole aqui]
Pergunta: [sua pergunta clínica] Regras: - Cite apenas estudos que você tem certeza de que existem, com autores, revista, ano e DOI. - Se não tiver certeza de uma referência, diga "não tenho certeza" em vez de inventar. - Separe claramente o que é evidência forte, o que é evidência fraca e o que é opinião. - Nunca complete lacunas por inferência; marque [SEM EVIDÊNCIA]. - Termine listando o que eu devo conferir na fonte original.
Revise o nosso histórico de conversas e liste os erros que você cometeu comigo. Organize em quatro grupos: 1. O que você INVENTOU para preencher uma informação que eu não dei. 2. O que você disse ter FEITO sem ter feito (consultar, verificar, testar). 3. O que você ALTEROU sem avisar (números, doses, termos, nomes). 4. Onde você EXAGEROU (promessa, certeza, linguagem comercial). Para cada erro: data aproximada, o que aconteceu e o risco. Se não tiver certeza de um item, diga "não tenho certeza". Não invente erros para completar a lista.
Mesmo com essas travas, a IA ainda pode errar — inclusive na própria auditoria. Elas reduzem o risco, mas não substituem a sua conferência.
Modelo do Prof. Dr. Chao Lung Wen (FMUSP). Cinco passos antes de usar qualquer resposta da IA.
Resolução CFM nº 2.454/2026, sobre o uso de IA na medicina, em vigor desde agosto de 2026.
"Uso uma ferramenta que transcreve nossa conversa para montar seu prontuário e sua orientação. [Ela não grava o áudio.] Se preferir que eu não use, é só dizer."
Confirme com o fornecedor como a sua ferramenta trata o áudio e os dados antes de usar a frase entre colchetes.
A Resolução CFM nº 2.336/2023 (publicidade médica) permite o antes e depois com finalidade educativa, mas veda qualquer manipulação ou melhoramento da imagem. Foto retocada, "melhorada" ou gerada por IA fica fora da regra.
Cada uma tem um acerto e um erro. A ferramenta acelera; a revisão continua sendo sua.
Posts estáticos e carrosséis.
Acerto: identidade visual consistente em minutos.
Cuidado: texto pronto com promessa de resultado e imagens de "resultado" que não existem.
Apresentações e documentos a partir de um pedido.
Acerto: estrutura e design de uma aula em minutos.
Cuidado: ele escreve o conteúdo dos slides, às vezes com números que você não pediu. Confira cada dado.
Edição de vídeo com cortes e legendas.
Acerto: cortes e legendas automáticas em minutos.
Cuidado: filtros de beleza/suavização de pele aplicados automaticamente são "melhoramento de imagem" (Res. CFM 2.336/2023). Revise também as legendas: elas erram termos médicos.
Se a imagem foi gerada ou alterada por IA, diga. Usar não é o problema; esconder é.
Escolha a tarefa repetitiva que mais te irrita. Resolva só ela com IA. Quando estiver funcionando, escolha a próxima. Não adote seis ferramentas de uma vez.
Todos os números da aula, com a fonte original.
Baixar os slides em PDF (disponível após 31/10)Mais sobre como uso IA na prática, com o que funcionou e o que eu decidi não usar.
